Descrição:
De acordo com Lévy (1999) a cibercultura é o conjunto de técnicas tanto materiais como intelectuais, de atitudes, práticas, pensamentos, valores que tornam possível o crescimento do ciberespaço, o qual, para o mesmo autor, refere-se ao novo meio de comunicação possibilitada pela interconexão mundial de computadores, não se referindo apenas à sua infraestrutura física, mas também aos seres humanos que nele navegam, consumindo e produzindo seu conteúdo, dando origem assim à chamada inteligência coletiva. No entanto, o simples acesso às informações contidas no ciberespaço não garante que haverá a construção do conhecimento (SILVA; FIORI, 2020), tornando-se necessário levar o estudante a ter uma preocupação em analisar e refletir sobre a informação ali contida, visto que sem essa atitude crítica torna-se inviável o verdadeiro aprendizado (BOTTENTUIT JUNIOR; COUTINHO, 2010). É por isso que é imprescindível proporcionar um processo de ensino-aprendizagem que permita o desenvolvimento de mentes reflexivas, que investiguem, saibam usar o senso crítico e sejam em simultâneo, analíticas e criativas (CAMARGO, 2015). Referindo-se especificamente aos discentes do curso de ciências contábeis, estes, ao término do curso, caso queiram usufruir de todas as prerrogativas da profissão, devem se submeter ao Exame de Suficiência, promovido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), conforme o artigo 12 da Lei 12.149 de 2010. No último relatório publicado pelo CFC, referente à segunda edição da prova realizada no segundo semestre de 2022, apenas 22,70% dos participantes foram aprovados. Em Sergipe a média de aprovação foi de 23,15%. Dessa forma, percebe-se que deve haver certo problema na formação dos bacharéis que, em sua maioria, são reprovados na prova do conselho. Observa-se que uma estratégia bastante utilizada pelos estudantes para preparação da prova é a resolução das questões anteriores ao exame. Na Universidade Federal de Sergipe, no campus de Itabaiana, são realizados com frequência cursos preparatórios para a prova onde os docentes resolvem as provas das últimas edições realizadas. Além disso, no Youtube, por exemplo, é possível encontrar diversos professores que resolvem as mesmas questões, além de blogs e sites que apresentam a resolução em formato de texto. Dessa forma, o estudante que usa essa estratégia de estudo pode acabar “decorando” as provas, ao passo que suas questões não se repetem e que mesmo que os conteúdos apareçam de forma corriqueira, os detalhes abordados de legislações, por exemplo, diferem a cada nova edição, tornando-se necessário que o estudante tenha um repertório amplo de conhecimento contábil para conseguir resolver as questões com tranquilidade. Assim, é preciso propor que o estudante saia da postura passiva quanto a esse exame, não apenas buscando assistir todos os vídeos disponíveis na internet, ou ler todas as resoluções, e replicá-las de forma irreflexiva. Torna-se imprescindível, então, promover a atitude ativa do discente. Nesse sentido, propõe-se neste estudo que os discentes que estão se preparando para o Exame de Suficiência, saiam da atitude de meros consumidores de conteúdo online, para produtores de conteúdo, colocando em prática seus conhecimentos adquiridos ao longo do seu processo de formação profissional.Dessa forma, a pesquisa buscará promover uma preparação diferente para os discentes, instigando o espírito analítico, crítico, de agente ativo na era da cibercultura, que compartilha conhecimento e torna crescente o espírito da inteligência coletiva.